COMPANHIA do CHISTE
2006: 'ATORES DO ÓRGÃO IRRESPONSÁVEL', premiado pela APACEPE como melhor encenação do ano. 'ATORES DA NOITE' em 2007, e a primeira publicação da companhia: TEATRO SUSPEITO. 2009: CARTAS DE PREGO - INSTRUÇÕES DE ABORDAGEM E DESCULPAS CÊNICAS outro lançamento. No Teatro Hermilo Borba Filho atualizamos nosso trabalho de encenação com MADLEIA + OU - DOIDA. Em 2010, a leitura de AS TUAS MÃOS ONDE ESTÃO?
20/12/2011
20/03/2011
11/01/2011
...... Madleia + ou – Doida
Dia 21
sexta
19h
R$ 10,00 (preço único promocional)
Teatro Arraial
COMPANHIA DO CHISTE
A tragédia de Medeia é mesclada a músicas bregas nesta montagem que mostra o desvario de uma mulher traída e a luta para reconquistar o seu homem através da força dos orixás.
1h
Indicação: 14 anos.
Texto: Henrique Celibi. Direção: Carlos Bartolomeu. Elenco: Henrique Celibi e Daniel Silva.
Concorre ao Prêmio APACEPE de Teatro e Dança na categoria TEATRO PARA ADULTO
Dia 21
sexta
19h
R$ 10,00 (preço único promocional)
Teatro Arraial
COMPANHIA DO CHISTE
A tragédia de Medeia é mesclada a músicas bregas nesta montagem que mostra o desvario de uma mulher traída e a luta para reconquistar o seu homem através da força dos orixás.
1h
Indicação: 14 anos.
Texto: Henrique Celibi. Direção: Carlos Bartolomeu. Elenco: Henrique Celibi e Daniel Silva.
Concorre ao Prêmio APACEPE de Teatro e Dança na categoria TEATRO PARA ADULTO
31/12/2010
04/12/2010
link PARA CHAMADA DE BRUNO e o CIRCO
http://pe360graus.globo.com/videos/diversao/teatro/2010/12/03/VID,19413,2,24,VIDEOS,879-PECA-TEATRAL-HOMENAGEIA-ANOS-CARREIRA-PALHACO-CHOCOLATE.aspx
http://pe360graus.globo.com/videos/diver
Em Busca do Lar Verdadeiro
Carlos Bartolomeu
| MATEUS é BRUNO |
Deixar de lado o ato de resistir. Celebrar e agradecer, eis a essência de nossa criação. Nenhum embate ditado pelas aparências. Os fantasmas que rodeiam aquele que se oferta à criação é coisa do pensamento, do passado. Coisa estreita. Apenas isso. Presenciar, ser grato ao incessante fluir, dele extraindo o salto de qualidade da imaginação, poesia, dança e do som, é o solo direcionando-se ao coletivo. A reverência constante pela alegria consagra a aceitação do que é em seu aspecto mais direcionado a plenitude, e menos a perfeição.
Celebrar! Celebrai. É para isto que está posta nossa existência. Para tudo que se movimenta a inteligência de nosso corpo-espírito se direciona. A vida se dirige, a natureza se renova assim. Corre o rio, a luz repõe seus matizes variados, o sopro do ar absorve perfumes todos. Tudo flui, festeja. Mesmo a tristeza e as outras sombras realizam sua dança. E em seu rodopio por nós incompreendido, às vezes, logram chegar ao lugar para onde anseiam: um Lar um Porto, um Abraço, uma Festa.
Pela terceira vez venho ser o regente-encenador dos trabalhos de produção de Simone e da criação literária de Moisés. Com eles realizei: ‘Para um Amor no Recife’ e ‘A Ilha do Tesouro’. Brincadeira do movimento da vida, presença do real são para mim a definição deste encontro. Criadores e outros poetas, a nós, no passado incorporaram sua destinação de poesia e fé. Entre tantos, registro a Ricardo Monteiro e Triana Cavalcanti, Beto Trindade, Maria Paula Costa Rego, Helder Aragão, Vavá Schon-Paulino... Na atual oportunidade destaco Heloisa, Sueldo, Játiles, Sandra Rino, Séfora, Paulo Smith... como também, todos os atores e atrizes, técnicos e um público numeroso que nos aplaudiu e fez valer a pena nossa entrega. Imagino que outro dado de operarmos este nosso conjunto, seja o fato inegável de que acreditamos sim, no valor da arte teatral como veículo do melhor da alma e sensibilidade humana. Menos horror, mais humor e Amor seria nosso dístico.
Amparando-me na crença que a presença correta é a do coração, introduzo minha idéia de circo, meu jogo com o texto teatral. Recolhendo dele e de suas entrelinhas a idéia de família, de conjunto vocacionado ao encontro, e de uma permanência em cujo conteúdo de tempo haja a compreensão da finitude e mudanças no comportamento e visão do sujeito. Do menino Bruno, (metáfora de nossa criança interior) recolho o aprendizado da superação da perda materna, e uma sabedoria de ação cujo clímax é a gratidão aos cuidados de um pai, que a seu modo deu conta de ser o modelo de amorosidade para este filho. O que apreendemos neste texto de ternura explícita, é a distância em que este articula dor e amor, solidão e amizade. Ressentimento algum se interpõe nas relações de suas personagens. Há verdadeiramente o cálido sentimento infantil de festejar, deixar de lado o dia que passou, e na projeção de um tempo futurível comemorar com as luzes de re/nascimento o amanhã, a vitória da vida.
Bruno, sim!
| ROMERO é BRUNO |
08/10/2010
17/09/2010
28/08/2010
22/08/2010
15/08/2010
07/08/2010
CONTA MEMÓRIA CONTA
Quando era estudante do Curso de Ator da Escola de Belas Artes da UFPE, nosso professor de Interpretação, Isaac Gondim Filho nos levou para uma aula excepcional. Tal acontecimento ocorreu no palco do Teatro de Santa Izabel, e nosso mestre foi nada mais que o grande Procópio Ferreira. Nós, todos reverentes e magicamente emocionados, ouvimos o grande intérprete. Penso que em torno de no minímo uma hora, ele nos apresentou sua história, sua arte.
Recordo-me que o grande público não compareceu ao espaço do Sta Izabel. Nós, os alunos é que fomos o público daquela noite. Creio hoje ter recebido naquele momento uma das revelações mais importantes sobre ser artísta e ser humano. Visivelmente gripado e envelhecido, Procópio afastou de si toda fragilidade e estava forte, luminoso, honrando sua arte.
Quando era estudante do Curso de Ator da Escola de Belas Artes da UFPE, nosso professor de Interpretação, Isaac Gondim Filho nos levou para uma aula excepcional. Tal acontecimento ocorreu no palco do Teatro de Santa Izabel, e nosso mestre foi nada mais que o grande Procópio Ferreira. Nós, todos reverentes e magicamente emocionados, ouvimos o grande intérprete. Penso que em torno de no minímo uma hora, ele nos apresentou sua história, sua arte.
Recordo-me que o grande público não compareceu ao espaço do Sta Izabel. Nós, os alunos é que fomos o público daquela noite. Creio hoje ter recebido naquele momento uma das revelações mais importantes sobre ser artísta e ser humano. Visivelmente gripado e envelhecido, Procópio afastou de si toda fragilidade e estava forte, luminoso, honrando sua arte.
19/05/2010
BIBI FERREIRA:GRANDE MOMENTO NO HISTÓRICO SANTA IZABEL
Prevalecendo sobre o rebuliço local de um agrupamento de artistas, a filha do insuperável ator Procópio Ferreira demonstrou na prática porque os grandes se diferenciam. Marcando o tempo com a sua luminosa presença, BIBI FERREIRA evocou na voz, nos pequenos e refletidos gestos, a essencia do fazer teatral.
Profissional de fato e de direito, esta grande atriz do Brasil espelhou no sagrado templo da teatralidade recifense, o quão precioso e devotado pode ser a realização de um artista cênico. Respeito e fidelidade ao público, perseverança no trabalho continuado, em sua essencia depurado e atual, fazem dela uma referência, um modelo.
Atores, produtores, políticos, os legítimos recifenses de alma ou escolha, aplaudiram sensibilizados a escolha de tão grande nome para festejar o aniversário de nosso teatro maior. A estes que sabem diferenciar história e memória legítimas, ergamos um brinde, uma dionisíaca saudação.
Dentre muitos que ocorreram a este momento festivo e cultural, destacamos:
Augusta Ferraz, Cira Ramos,
Rosamaria Murtinho,Nathalia Thimberg,
Geninha da Rosa Borges,
José Francisco Filho,
João Maria, André Brasileiro,
Reinaldo de Oliveira, Moisés Neto,
Karla Martins, Henrique Celibi,
José Brito, Jamysson Marques,
Vavá Paulino,
Mucio Callou, Sandra Arraes,
Leda Alves, Dona Madalena Arraes, Renildo Calheiros,
Jurandir Liberal, Ronaldo Brissant, Rosa Bezerra.
Funcionários dos teatros municipais, e os músicos da simfonica do Recife.
13/04/2010
Uma Medéia Pop e Kitsch
Por Bruno Siqueira
MADLEIA. Medéia. Vanderléia. MAD. Mais ou menos DOIDA. Madleia + ou – doida, o mais novo espetáculo de Carlos Bartolomeu, roteirizado e protagonizado por Henrique Celibi, já traz no título o sentido elementar da encenação: a mestiçagem, a transubstanciação, a brasilidade flagrada pelo viés do popular. Mas um popular além da teatralização do popular que os discursos hegemônicos, mesmo contando com menos seguidores agora, ainda insistem em manter. Não o popular domesticado, rural, pré-industrial. Mas o popular urbano, contaminado e transformado pela indústria cultural.
Do ponto de vista formal, o espetáculo não carrega nenhuma proposta revolucionária. Como diz o próprio encenador no programa da peça, a encenação é “arrancada do surrado ou do repetitivo”. Três são, porém, seus méritos, a meu ver.
A opção pelo brega, pelo melodramático, pela indústria do entretenimento como traços estilísticos faz com que os elementos da cena se harmonizem em prol de um efeito estético gratificante. O cenário e os adereços de Celibi se afinam muito bem com a proposta da encenação. O vermelho dominante remete ao pathos contido na tragédia grega, mas também, ao mesmo tempo, ao kitsch de alguns dos programas televisivos populares, com direito até a coraçãozinho de pelúcia.
O segundo ponto positivo do espetáculo consiste na sua mestiçagem. Há muito tempo já nos caiu a ficha de que a originalidade correspondia a um mito romântico, hoje difícil de se sustentar, senão por discursos ideologicamente comprometidos nas relações de poder. Nas tragédias clássicas, por exemplo, vê-se o dramaturgo bebendo na fonte dos mitos. O mérito artístico provinha na forma como os mitos eram focados, recortados, interpretados, renovados.
Qual a razão de se montar, nos dias de hoje, um texto clássico? No caso de Madleia + ou – doida, por que montar um espetáculo a partir de um motivo clássico? As grandes tragédias gregas lidam com temas ainda muito significativos para nós. No entanto, esses textos são significativos não pelo que significaram para os espectadores há mais de dois mil anos, mas pelo que significam nos dias de hoje. Ou seja, é a leitura contemporânea que dá sentido a um texto escrito há mais de dois milênios.
Por exemplo, em plena ditadura militar, Chico Buarque e Paulo Pontes, para além de esgotar o conflito individual de sua protagonista (Joana), fazem uma leitura política de Medéia em Gota d’água, ao ambientar a peça num complexo habitacional, a Vila do Meio-Dia, revelando as dificuldades sofridas pela população da periferia, retrato tão adverso da imagem próspera que o governo militar pretendia divulgar do Brasil.
A dramaturgia de Celibi em Madleia + ou – doida parte de Medéia e faz uma leitura carnavalizante do mito grego. O olhar do dramaturgo não se fixa nem na psicologia da personagem nem no viés político estrito que a peça carrega, mas na cultura hibridizante que transformará a tragédia de Eurípedes numa colagem de textos de diversas origens e de diversos matizes. Na peça, o dramaturgo grego convive com as seguintes personalidades: Chico Buarque, Paulo Pontes, Vanderléia, Roberto Carlos, Fernando Mendes, dentre outras. Claro que essa convivência se dá em termos de referências textuais.
Trata-se de uma paródia de Medéia, que dessacraliza a tragédia grega, inserindo-a numa cultura do entretenimento, sem, por isso, perder de vista a grande violência do amor, do abandono e do ciúme, temas subjacentes ao texto helênico.
O terceiro ponto alto do espetáculo é a atuação de Henrique Celibi. Seguro de seu trabalho, a ator dá vida a sua personagem numa interpretação vigorosa, bailando do lamento trágico, aos excessos melodramáticos e ao riso cômico, numa naturalidade própria apenas dos grandes atores.
Saliente-se também a participação de Daniel Silva, o qual, num excelente trabalho de expressão corporal, representou projeções da personagem Jasão e de forças místicas oriundas, possivelmente, da mente de Madleia. Suas aparições conferiram ao espetáculo grandes momentos de beleza plástica.
O encontro de dois grandes artistas, Carlos Bartolomeu e Henrique Celibi, resultou num trabalho instigante e representativo na trajetória artística de ambos, afinal Madleia + ou – doida é um espetáculo que descende das antológicas produções do Vivencial, grupo em que os dois participaram significativamente. Mas isso é assunto para outro texto...
Quanto ao espetáculo em foco, todos os artistas envolvidos estão de parabéns! Neste último sábado, no Marco Zero, a produção da Paixão de Cristo do Recife angariava milhares de espectadores; no Centro Cultural Apolo-Hermilo, Madleia + ou – doida reunia um público numeroso, que se deliciava com o trabalho produzido por Bartolomeu e Celibi. Diante de uma diversidade como a nossa, como conceber outra forma de cultura diferente da que foi oferecida pela encenação? É isto.
Por Bruno Siqueira
Do ponto de vista formal, o espetáculo não carrega nenhuma proposta revolucionária. Como diz o próprio encenador no programa da peça, a encenação é “arrancada do surrado ou do repetitivo”. Três são, porém, seus méritos, a meu ver.
A opção pelo brega, pelo melodramático, pela indústria do entretenimento como traços estilísticos faz com que os elementos da cena se harmonizem em prol de um efeito estético gratificante. O cenário e os adereços de Celibi se afinam muito bem com a proposta da encenação. O vermelho dominante remete ao pathos contido na tragédia grega, mas também, ao mesmo tempo, ao kitsch de alguns dos programas televisivos populares, com direito até a coraçãozinho de pelúcia.
O segundo ponto positivo do espetáculo consiste na sua mestiçagem. Há muito tempo já nos caiu a ficha de que a originalidade correspondia a um mito romântico, hoje difícil de se sustentar, senão por discursos ideologicamente comprometidos nas relações de poder. Nas tragédias clássicas, por exemplo, vê-se o dramaturgo bebendo na fonte dos mitos. O mérito artístico provinha na forma como os mitos eram focados, recortados, interpretados, renovados.
Qual a razão de se montar, nos dias de hoje, um texto clássico? No caso de Madleia + ou – doida, por que montar um espetáculo a partir de um motivo clássico? As grandes tragédias gregas lidam com temas ainda muito significativos para nós. No entanto, esses textos são significativos não pelo que significaram para os espectadores há mais de dois mil anos, mas pelo que significam nos dias de hoje. Ou seja, é a leitura contemporânea que dá sentido a um texto escrito há mais de dois milênios.
Por exemplo, em plena ditadura militar, Chico Buarque e Paulo Pontes, para além de esgotar o conflito individual de sua protagonista (Joana), fazem uma leitura política de Medéia em Gota d’água, ao ambientar a peça num complexo habitacional, a Vila do Meio-Dia, revelando as dificuldades sofridas pela população da periferia, retrato tão adverso da imagem próspera que o governo militar pretendia divulgar do Brasil.
A dramaturgia de Celibi em Madleia + ou – doida parte de Medéia e faz uma leitura carnavalizante do mito grego. O olhar do dramaturgo não se fixa nem na psicologia da personagem nem no viés político estrito que a peça carrega, mas na cultura hibridizante que transformará a tragédia de Eurípedes numa colagem de textos de diversas origens e de diversos matizes. Na peça, o dramaturgo grego convive com as seguintes personalidades: Chico Buarque, Paulo Pontes, Vanderléia, Roberto Carlos, Fernando Mendes, dentre outras. Claro que essa convivência se dá em termos de referências textuais.
Trata-se de uma paródia de Medéia, que dessacraliza a tragédia grega, inserindo-a numa cultura do entretenimento, sem, por isso, perder de vista a grande violência do amor, do abandono e do ciúme, temas subjacentes ao texto helênico.
O terceiro ponto alto do espetáculo é a atuação de Henrique Celibi. Seguro de seu trabalho, a ator dá vida a sua personagem numa interpretação vigorosa, bailando do lamento trágico, aos excessos melodramáticos e ao riso cômico, numa naturalidade própria apenas dos grandes atores.
Saliente-se também a participação de Daniel Silva, o qual, num excelente trabalho de expressão corporal, representou projeções da personagem Jasão e de forças místicas oriundas, possivelmente, da mente de Madleia. Suas aparições conferiram ao espetáculo grandes momentos de beleza plástica.
O encontro de dois grandes artistas, Carlos Bartolomeu e Henrique Celibi, resultou num trabalho instigante e representativo na trajetória artística de ambos, afinal Madleia + ou – doida é um espetáculo que descende das antológicas produções do Vivencial, grupo em que os dois participaram significativamente. Mas isso é assunto para outro texto...
Quanto ao espetáculo em foco, todos os artistas envolvidos estão de parabéns! Neste último sábado, no Marco Zero, a produção da Paixão de Cristo do Recife angariava milhares de espectadores; no Centro Cultural Apolo-Hermilo, Madleia + ou – doida reunia um público numeroso, que se deliciava com o trabalho produzido por Bartolomeu e Celibi. Diante de uma diversidade como a nossa, como conceber outra forma de cultura diferente da que foi oferecida pela encenação? É isto.
20/02/2010
TRANSITÓRIA TEATRALIDADE .
CB
Coisas velhas e novas, boas e más acompanham o fazer teatral. A mais perniciosa na atualidade é percurtida com respeito religioso pelos assim denominados produtores culturais. Não perderei meu tempo, citando nomes, e uma das razões é que eles fazem tudo o que fazem, pela desavergonhada vontade de ingressarem no Olimpo. Há algo de nobre em tamanha irrisão.
Equacionando espúrias articulações com os representantes espertos do poder, suas atuações menos que avaliadas, são por estes avalizadas: realmente, é dando que se recebe... E ao novo elenco de mando inclinam-se submissos, regurjitando a própria imaginação na vã tentativa de alcançar o nivel dos realizadores reais. No ensaio de uma aura modernosa nem sempre correspondem em honestidade e direito ao gesto criativo de artistas verdadeiros. Com ambígua intenção recriaram um domínio no gerenciamento da estética, moldando figurinhas de escol, ironicamente denominados curadores de festivais. Classicos pelegos, quero dizer, agentes das relações teatrais são personas com excessiva inclinação a arte de sugerir, gerenciar ações, e pensamentos nas artes. Dentro das instituições materializam suas realizações, insuflando egos e as necessidades dos atravessadores cênicos, e com isso usufruindo parte de generosa dádiva publicitaria, realçando critérios da hora, avalizando modismos e achados.
Bajulação e mediocridades de ambos os lados sustentam a relação 'privilegiada'.
Indisponíveis a realidade de se reconhecerem como espectadores privilegiados, ocupam espaços, outorgando-se como principais na cena. Quem são, e o que de fato realizaram na arena dionisiaca? O que desejam com pretensão voluntariosa e assumida negatividade?
Bajulação e mediocridades de ambos os lados sustentam a relação 'privilegiada'.
Indisponíveis a realidade de se reconhecerem como espectadores privilegiados, ocupam espaços, outorgando-se como principais na cena. Quem são, e o que de fato realizaram na arena dionisiaca? O que desejam com pretensão voluntariosa e assumida negatividade?
Recibos são passados na relação obsediada da maligna corte. Ato contínuo, os agentes da crítica aplicam-se a roteiros destrutivos, a leitura limítrofe e raivosa, subtraindo legitimidade daqueles que ao sabor de suas existências, tecem a real poética da teatralidade.
As circunstâncias, o entorno, as histórias de vida são deixadas de lado. A individualidade, o acento primário e rebelde, as narrativas sugestionadas pela realidade local são afrontadas pelo tom olímpico dos irados sujeitos.
Suas idéias, verdadeiramente procedem da profunda compreensão do espetáculo, ou seriam uma nova face do beletrismo, de um certo jeitinho avant gard de reinventarem comissariados do povo, illustrações e mecenatos da transitoriedade?
Suas idéias, verdadeiramente procedem da profunda compreensão do espetáculo, ou seriam uma nova face do beletrismo, de um certo jeitinho avant gard de reinventarem comissariados do povo, illustrações e mecenatos da transitoriedade?
Interrogo-me, se tais máscaras sabem de fato entender e traduzir o processo e a obra de artistas da cena. Sabem eles, dar a mirada ética sobre aqueles distanciados das sazonais construções dos modelos teatrais em voga?
No concerto da diversidade é aceitável mesmo assim, a existência de tais personagens; deplorável apenas, o fato implícito de suas idas e vindas, acontecerem ao gosto do subsistema de leituras informacionais, gerenciados pelo ímpeto do mercado ou ideológias. Não fossem eles, reflexo de uma ideário que aspira o pensamento único, gracejando da diversidade, do erro, e da transgressão, poderiamos nos dar apenas, por insatisfeitos. Todavia, são o que são, por se associarem ao pensamento subalterno e ultrapassado. Pois que de fato não auxiliam a desvendar rumos, articular pulsões, e dar sobrevôo as criatividades sinceras.
No concerto da diversidade é aceitável mesmo assim, a existência de tais personagens; deplorável apenas, o fato implícito de suas idas e vindas, acontecerem ao gosto do subsistema de leituras informacionais, gerenciados pelo ímpeto do mercado ou ideológias. Não fossem eles, reflexo de uma ideário que aspira o pensamento único, gracejando da diversidade, do erro, e da transgressão, poderiamos nos dar apenas, por insatisfeitos. Todavia, são o que são, por se associarem ao pensamento subalterno e ultrapassado. Pois que de fato não auxiliam a desvendar rumos, articular pulsões, e dar sobrevôo as criatividades sinceras.
Uma critica que não possa sustentar um dialogo ilustrado e enriquecedor não vale a pena, e nem deve ser levada a sério. A sua maneira perversa, não é ascultar com artisticidade e indicações positivas, a produção e seus diferenciais; de fato é, a negação do diverso, de um outro ponto de vista, e consequente interrupção no diálogo entre artistas e seus observadores.
Não realizar tal exercício é desejo de poder, necessidade de mando sobre espíritos. Ao longo da história das artes, tal atitude prevaleceu em tempos duvidosos, fazendo escola nas sociedades incapazes do dialogo real.
Não realizar tal exercício é desejo de poder, necessidade de mando sobre espíritos. Ao longo da história das artes, tal atitude prevaleceu em tempos duvidosos, fazendo escola nas sociedades incapazes do dialogo real.
07/02/2010
Participamos ontem/hoje do 46 Baile Municipal como membro da comissão julgadora de fantasias. Noite carnavalesca em mais alto grau. Parabéns a Simone Figueiredo e equipe.
Nosso camarote superlotado de artistas amigos, amigos artistas, passantes e o baixo clero também.
Risos, frevo e muita alegria combinaram o encontro no espaço onde festajamos o grande evento do carnaval nacional.
Conosco o melhor e de mais saúde do teatro em Pernambuco.
Uma grande lista e fotos pra documentar: Carlos Bartolomeu e Simone Figueiredo. Cira Ramos, Roger de Renor.José Francisco e Xuruca Pacheco. Paula de Renor e Fabio Caio, Thiago Brito.
Nosso camarote superlotado de artistas amigos, amigos artistas, passantes e o baixo clero também.
Risos, frevo e muita alegria combinaram o encontro no espaço onde festajamos o grande evento do carnaval nacional.
Conosco o melhor e de mais saúde do teatro em Pernambuco.
04/01/2010
PORTAL- Como você se sente em estreia mais uma vez?
CARLOS BARTOLOMEU- Sinto-me confortavelmente tranquilo. Não tendo mais ilusões sobre minha importância no seio teatral da cidade, conto com meu espírito, e amigos em passagem pra realizar minha dramaturgia. Quero com isso dizer que me sinto livre, desapegado da necessidade que se conjugam a vida de um artista. O fazer artístico para mim, torna-se a cada movimento criativo um caminho de aprendizagem sobre minhas verdades mais interiores. Apesar de minha aplicação à forma, essa deve ser compreendida como a expressão de uma conversação íntima, onde os gestos, palavras e desenhos de movimentos seriam a sugestão possível de algo que em sendo muito próximo, me reenvia para lá de mim.
PORTAL- Medeia é uma peça machista?
CARLOS BARTOLOMEU- Medeia de Eurípedes para mim seria uma declaração afirmativa, embora dolorosa sobre o diferente, o estranho, o obscuro. Uma ritualística acusação sobre a impossibilidade ocidental de reverencia tais máscaras; a cruel negativa de introduzir o diálogo com o a passividade agressiva experimentada pelos muitos ângulos do gênero. A Medeia de Henrique Celibi é a exposição dessa agressividade voltada contra a mente da personagem, a inconsciência de que tal condição é cultural e passível de mudança. Acrescente-se a isso, firulas paródicas, deboche e o aclamar da insanidade que minha encenação instigou.
O mito de Medeia, hoje, esperneia por obra e graça de sua carga infanticida, ao meu ver de menor aporte que o fato dela ter investido contra o poder estabelecido, o masculino, o dogmático, quando apeada de sua associação com o mesmo. Emociona-me pensar que sua destruição foi ditada por sua ignorância sobre o desejo de poder, e a ação física do próprio tempo. O mito arrancada a máscara do feminino oportunista, só deixa para ele, vingança e fuga. Especulo ser esta a razão de tal personalidade ter amparado carreiras em seus momentos duvidosos. Deixo escapar tal "impropriedade" ao lembrar da interpretação de Callas para o Medeia de Pasolini. A ausente presença de Onassis como fermento de sua interpretação pulsa naquela ardente criação.
PORTAL- Quem é Carlos Bartolomeu?
CARLOS BARTOLOMEU- Penso que sou um homem que compreendeu seus limites, que fez de suas repetidas invenções, a sua medida. Honro meu gosto, desgosto e mau gosto, e minha indestrutível capacidade de amor pela poesia das coisas menores, por vezes chatas e sem graça. Revertendo em todos os casos, a falta de ternura pelo simplesmente tolo e humano.
PORTAL- Qual a importância do Vivencial Diversiones (de onde surgiu o ator de MADLEIA (Henrique Celibi) nos dias de hoje ?
CARLOS BARTOLOMEU- Qual seria? Pergunto também eu? Penso que apesar da tentativa de sacralizar o grupo, a coisa que ele deixou pelo menos em mim, foi a alegria da sacanagem, fazer teatro sem compromissos com os enfadonhos do momento político, ou teatral. Amavam o espetáculo, xerocando dramaturgias, permitiram-se reinventar liberdades teatrais e morais.
PORTAL- Apresente Celibi aos neófitos. Quem é esse artista para você?
CARLOS BARTOLOMEU- Celibi é um vivente, não é um sobrevivente. Artista maior entre tantos menores, escritor de textos pra cena teatral, criador visual, báquico intérprete de si mesmo e de outras máscaras imprescindíveis. Foi viveca e não foi. Aprendeu com Beto Dinis a arquitetura de palco. Coreografou vestimentas para corpos do samba em evolução do carnaval carioca e deu luz ao maior sucesso de público de todos os tempos da cena pernambucana: Cinderela a estória que sua mãe não contou. Enfim, um/a MAD LEIA. Ou seria bad?
PORTAL- Você acredita em vanguarda permanente? O teatro do mundo está evoluindo ou só no Recife evolui assim?
CARLOS BARTOLOMEU- Se não for permanente flex não é vanguarda, é retaguarda. Todavia, o fato de pipocar pela manhã não nos permite contabilizar sua realidade como potencia. De fato, temos que esperar o entardecer para conferir sua legitimidade. Ou quem sabe, não seria a simples realidade de nascimento, a sua essência? Por pura sorte, ou proteção dos fados literários, ganha classificação de clássico... Acho que o teatro do mundo acompanha a realidade de seu tempo... O que isso queira considerar, dando muito assunto, mas, é tarde tenho sono e ainda tem três perguntas pra responder.
PORTAL- Sobre o Bartolomeu escritor: o que você está dizendo?
CARLOS BARTOLOMEU- Sou um preguiçoso... Preciso sempre de tempestade e ímpeto. Mas, venho me esforçando pra terminar um certo texto que denominei de TEATRO PRETENSIOSO. Nos Aprendizes em Cena do Centro Apolo-Hermilo, agora em novembro, vocês verão uma amostra, um dos quadros da peça denominado O JOGO DA AMARELINHA.
PORTAL- O que acha da política (Recife/ Pernambuco/ Brasil/ Outros países)?
CARLOS BARTOLOMEU- Em crise de valores, acometida ainda de velhos fantasmas em novas fantasias. No caso brasileiro especificamente, visita-se mais uma vez a infeliz necessidade do pai protetor, do herói maluquinho e da incapacidade crônica de se ler o passado. Salvo melhor juízo, é dando que se recebe é lema, lei e recurso.
ENTREVISTA a Moisés Neto
CARLOS BARTOLOMEU- Sinto-me confortavelmente tranquilo. Não tendo mais ilusões sobre minha importância no seio teatral da cidade, conto com meu espírito, e amigos em passagem pra realizar minha dramaturgia. Quero com isso dizer que me sinto livre, desapegado da necessidade que se conjugam a vida de um artista. O fazer artístico para mim, torna-se a cada movimento criativo um caminho de aprendizagem sobre minhas verdades mais interiores. Apesar de minha aplicação à forma, essa deve ser compreendida como a expressão de uma conversação íntima, onde os gestos, palavras e desenhos de movimentos seriam a sugestão possível de algo que em sendo muito próximo, me reenvia para lá de mim.
PORTAL- Medeia é uma peça machista?
CARLOS BARTOLOMEU- Medeia de Eurípedes para mim seria uma declaração afirmativa, embora dolorosa sobre o diferente, o estranho, o obscuro. Uma ritualística acusação sobre a impossibilidade ocidental de reverencia tais máscaras; a cruel negativa de introduzir o diálogo com o a passividade agressiva experimentada pelos muitos ângulos do gênero. A Medeia de Henrique Celibi é a exposição dessa agressividade voltada contra a mente da personagem, a inconsciência de que tal condição é cultural e passível de mudança. Acrescente-se a isso, firulas paródicas, deboche e o aclamar da insanidade que minha encenação instigou.
O mito de Medeia, hoje, esperneia por obra e graça de sua carga infanticida, ao meu ver de menor aporte que o fato dela ter investido contra o poder estabelecido, o masculino, o dogmático, quando apeada de sua associação com o mesmo. Emociona-me pensar que sua destruição foi ditada por sua ignorância sobre o desejo de poder, e a ação física do próprio tempo. O mito arrancada a máscara do feminino oportunista, só deixa para ele, vingança e fuga. Especulo ser esta a razão de tal personalidade ter amparado carreiras em seus momentos duvidosos. Deixo escapar tal "impropriedade" ao lembrar da interpretação de Callas para o Medeia de Pasolini. A ausente presença de Onassis como fermento de sua interpretação pulsa naquela ardente criação.
PORTAL- Quem é Carlos Bartolomeu?
CARLOS BARTOLOMEU- Penso que sou um homem que compreendeu seus limites, que fez de suas repetidas invenções, a sua medida. Honro meu gosto, desgosto e mau gosto, e minha indestrutível capacidade de amor pela poesia das coisas menores, por vezes chatas e sem graça. Revertendo em todos os casos, a falta de ternura pelo simplesmente tolo e humano.
PORTAL- Qual a importância do Vivencial Diversiones (de onde surgiu o ator de MADLEIA (Henrique Celibi) nos dias de hoje ?
CARLOS BARTOLOMEU- Qual seria? Pergunto também eu? Penso que apesar da tentativa de sacralizar o grupo, a coisa que ele deixou pelo menos em mim, foi a alegria da sacanagem, fazer teatro sem compromissos com os enfadonhos do momento político, ou teatral. Amavam o espetáculo, xerocando dramaturgias, permitiram-se reinventar liberdades teatrais e morais.
PORTAL- Apresente Celibi aos neófitos. Quem é esse artista para você?
CARLOS BARTOLOMEU- Celibi é um vivente, não é um sobrevivente. Artista maior entre tantos menores, escritor de textos pra cena teatral, criador visual, báquico intérprete de si mesmo e de outras máscaras imprescindíveis. Foi viveca e não foi. Aprendeu com Beto Dinis a arquitetura de palco. Coreografou vestimentas para corpos do samba em evolução do carnaval carioca e deu luz ao maior sucesso de público de todos os tempos da cena pernambucana: Cinderela a estória que sua mãe não contou. Enfim, um/a MAD LEIA. Ou seria bad?
PORTAL- Você acredita em vanguarda permanente? O teatro do mundo está evoluindo ou só no Recife evolui assim?
CARLOS BARTOLOMEU- Se não for permanente flex não é vanguarda, é retaguarda. Todavia, o fato de pipocar pela manhã não nos permite contabilizar sua realidade como potencia. De fato, temos que esperar o entardecer para conferir sua legitimidade. Ou quem sabe, não seria a simples realidade de nascimento, a sua essência? Por pura sorte, ou proteção dos fados literários, ganha classificação de clássico... Acho que o teatro do mundo acompanha a realidade de seu tempo... O que isso queira considerar, dando muito assunto, mas, é tarde tenho sono e ainda tem três perguntas pra responder.
PORTAL- Sobre o Bartolomeu escritor: o que você está dizendo?
CARLOS BARTOLOMEU- Sou um preguiçoso... Preciso sempre de tempestade e ímpeto. Mas, venho me esforçando pra terminar um certo texto que denominei de TEATRO PRETENSIOSO. Nos Aprendizes em Cena do Centro Apolo-Hermilo, agora em novembro, vocês verão uma amostra, um dos quadros da peça denominado O JOGO DA AMARELINHA.
PORTAL- O que acha da política (Recife/ Pernambuco/ Brasil/ Outros países)?
CARLOS BARTOLOMEU- Em crise de valores, acometida ainda de velhos fantasmas em novas fantasias. No caso brasileiro especificamente, visita-se mais uma vez a infeliz necessidade do pai protetor, do herói maluquinho e da incapacidade crônica de se ler o passado. Salvo melhor juízo, é dando que se recebe é lema, lei e recurso.
ENTREVISTA a Moisés Neto
31/12/2009
21/12/2009
Ponto de virada do teatro pernambucano
Pollyanna Diniz // Diario de Pernambuco
Se o teatro contemporâneo é muito voltado às experimentações feitas em grupo, ao diálogo e construção coletiva, nas décadas de 70 e 80, os encenadores é que tinham posição de destaque. A produção era basicamente impulsionada pelas suas ideias, pela forma como levavam ao palco a crítica ao regime, às contradições sociais e humanas. Em Pernambuco, a cena teatral começou a se estruturar antes mesmo do Regime Militar, com Samuel Campêlo, e mais tarde, a partir de 1940, com Valdemar de Oliveira e Hermilo Borba Filho. Quando a repressão bateu à porta, cinco nomes se destacavam pela inquietação e, principalmente, pela qualidade das montagens: Milton Baccarelli, José Francisco Filho, Guilherme Coelho, Car los Bartolomeu e Antonio Cadengue.
Um relato dos trabalhos realizados por esses encenadores, além da contextualização sobre o que acontecia no mundo das artes cênicas na Europa e no Brasil como um todo, estão no livro A modernidade no teatro [Aqui e ali] Reflexos estilhaçados (R$ 50), da atriz e gestora cultural Lúcia Machado, que será lançado nesta segunda-feira, às 19h20, na Creperia Anjo Solto (Galeria Joana D’Arc, no Pina). O livro está sendo publicado com alguns anos de atraso, mas numa versão muito mais completa. Isso porque a pesquisa que deu origem à obra foi apr esentada por Lúcia em 1986, quando ela terminava a especialização em artes cênicas. "Quando pensei em atualizar a pesquisa, analisei os anexos e fui descobrindo documentos, artigos, que não poderiam passar despercebidos".
A obra de 450 páginas carrega a vantagem de ter sido escrita por alguém que vivenciou a época, que foi inclusive dirigida por Milton Baccarelli, Carlos Bartolomeu e Cadengue. "A pesquisa começou a partir da observação como espectadora". Em comum, a autora diz, nas considerações finais, que os encenadores tinham "a inquietação e a avidez por descobertas, típicas do momento existencial de cada um deles."
Para Lúcia, Baccarelli se destaca pelo bom gosto na escolha da dramaturgia e pelo conhecimento teórico. "Ele fez uma ebulição na Escola de Belas Artes, quando chegou ao Recife em 1962. Pela vivência, o trabalho com o ator, os gestos, o rigor, os ensaios exaustivos", afirma. "Já em 1963, com os alunos, ele montou Vereda da salvação. Um pioneirismo. Antunes Filho montou o mesmo texto um ano depois", comenta.
José Francisco começou buscando espaços alternativos. Montou Prometeu acorrentado na Igreja do Rosário dos Homens Pretos. Fez uma releitura de Torturas de um coração, sob viés tropicalista, o que fez com que Ariano achasse que a obra estava sendo deturpada. "Foi uma polêmica nacional. A montagem foi apresentada aqui, depois seguiu para o Festival de São José do Rio Preto e quase não acontecia, por conta da proibição de Ariano".
Na cena de Carlos Bartolomeu, a paixão pelo cinema assume um papel importante e as imagens ganham outra dimensão. "A sintonia era grande com o movimento modernista e o futurismo. Na montagem A mais forte, ele mostrou apuro técnico, com Mag dale Alves e Augusta Ferraz em cena. Depois montou também Um gesto por outro", explica Lúcia.
Antonio Cadengue, que inclusive foi orientador do trabalho na década de 80, é admirado por Lúcia pela poesia que coloca em cena. "Ele tem uma bagagem extraordinária. É de um rigor absurdo, obsessivo pelo estudo, pela pesquisa". Guilherme Coelho, que atualmente mora em Brasília, se destacava dos outros pelo "sentido de comunidade, de 'vivência' e o enfoque social" do seu trabalho com o grupo Vivencial. "Era de caráter quase catequético, no Mosteiro de São Bento, com jovens em situação de vulnerabilidade. Mas esse exercício de cidadania estourou em todo o país".
Também é lembrado no livro o cenógrafo Beto Diniz, que foi um dos homenageados do Festival Recife do Teatro Nacional deste ano. "Ele trabalhou com praticamente todos os diretores e o aspecto visual do espetáculo mudou depois dele". O livro traz em sua pesquisa uma diversidade de visõ es de autores, jornalistas e críticos, como Celso Marconi, Jomard Muniz de Britto, João Denys, Fátima Saadi. "É muito bom que a cena pernambucana esteja sendo contada. Isso vem acontecendo de uns anos para cá, com livros de João Denys, Luís Reis, Leidson Ferraz e alguns outros. Por muito tempo, a única obra que tínhamos, o ponto de partida, era somente O moderno teatro pernambucano, publicado na década de 60 por Joel Pontes”.
O prefácio do livro A modernidade no teatro [Aqui e ali] Reflexos Estilhaçados é do jornalista e crítico Luís Reis e a apresentação ficou sob a responsabilidade da jornalista, editora do Viver, Ivana Moura. O lançamento é só para convidados, mas a obra estará sendo vendida nas principais livrarias da cidade. A compra também pode ser realizada pelo e-mail contatosalieaki@gmail.com
Disponível em: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/12/20/viver5_0.asp Acesso em: 20 dez. 2009.
Pollyanna Diniz // Diario de Pernambuco
Se o teatro contemporâneo é muito voltado às experimentações feitas em grupo, ao diálogo e construção coletiva, nas décadas de 70 e 80, os encenadores é que tinham posição de destaque. A produção era basicamente impulsionada pelas suas ideias, pela forma como levavam ao palco a crítica ao regime, às contradições sociais e humanas. Em Pernambuco, a cena teatral começou a se estruturar antes mesmo do Regime Militar, com Samuel Campêlo, e mais tarde, a partir de 1940, com Valdemar de Oliveira e Hermilo Borba Filho. Quando a repressão bateu à porta, cinco nomes se destacavam pela inquietação e, principalmente, pela qualidade das montagens: Milton Baccarelli, José Francisco Filho, Guilherme Coelho, Car los Bartolomeu e Antonio Cadengue.
Um relato dos trabalhos realizados por esses encenadores, além da contextualização sobre o que acontecia no mundo das artes cênicas na Europa e no Brasil como um todo, estão no livro A modernidade no teatro [Aqui e ali] Reflexos estilhaçados (R$ 50), da atriz e gestora cultural Lúcia Machado, que será lançado nesta segunda-feira, às 19h20, na Creperia Anjo Solto (Galeria Joana D’Arc, no Pina). O livro está sendo publicado com alguns anos de atraso, mas numa versão muito mais completa. Isso porque a pesquisa que deu origem à obra foi apr esentada por Lúcia em 1986, quando ela terminava a especialização em artes cênicas. "Quando pensei em atualizar a pesquisa, analisei os anexos e fui descobrindo documentos, artigos, que não poderiam passar despercebidos".
A obra de 450 páginas carrega a vantagem de ter sido escrita por alguém que vivenciou a época, que foi inclusive dirigida por Milton Baccarelli, Carlos Bartolomeu e Cadengue. "A pesquisa começou a partir da observação como espectadora". Em comum, a autora diz, nas considerações finais, que os encenadores tinham "a inquietação e a avidez por descobertas, típicas do momento existencial de cada um deles."
Para Lúcia, Baccarelli se destaca pelo bom gosto na escolha da dramaturgia e pelo conhecimento teórico. "Ele fez uma ebulição na Escola de Belas Artes, quando chegou ao Recife em 1962. Pela vivência, o trabalho com o ator, os gestos, o rigor, os ensaios exaustivos", afirma. "Já em 1963, com os alunos, ele montou Vereda da salvação. Um pioneirismo. Antunes Filho montou o mesmo texto um ano depois", comenta.
José Francisco começou buscando espaços alternativos. Montou Prometeu acorrentado na Igreja do Rosário dos Homens Pretos. Fez uma releitura de Torturas de um coração, sob viés tropicalista, o que fez com que Ariano achasse que a obra estava sendo deturpada. "Foi uma polêmica nacional. A montagem foi apresentada aqui, depois seguiu para o Festival de São José do Rio Preto e quase não acontecia, por conta da proibição de Ariano".
Na cena de Carlos Bartolomeu, a paixão pelo cinema assume um papel importante e as imagens ganham outra dimensão. "A sintonia era grande com o movimento modernista e o futurismo. Na montagem A mais forte, ele mostrou apuro técnico, com Mag dale Alves e Augusta Ferraz em cena. Depois montou também Um gesto por outro", explica Lúcia.
Antonio Cadengue, que inclusive foi orientador do trabalho na década de 80, é admirado por Lúcia pela poesia que coloca em cena. "Ele tem uma bagagem extraordinária. É de um rigor absurdo, obsessivo pelo estudo, pela pesquisa". Guilherme Coelho, que atualmente mora em Brasília, se destacava dos outros pelo "sentido de comunidade, de 'vivência' e o enfoque social" do seu trabalho com o grupo Vivencial. "Era de caráter quase catequético, no Mosteiro de São Bento, com jovens em situação de vulnerabilidade. Mas esse exercício de cidadania estourou em todo o país".
Também é lembrado no livro o cenógrafo Beto Diniz, que foi um dos homenageados do Festival Recife do Teatro Nacional deste ano. "Ele trabalhou com praticamente todos os diretores e o aspecto visual do espetáculo mudou depois dele". O livro traz em sua pesquisa uma diversidade de visõ es de autores, jornalistas e críticos, como Celso Marconi, Jomard Muniz de Britto, João Denys, Fátima Saadi. "É muito bom que a cena pernambucana esteja sendo contada. Isso vem acontecendo de uns anos para cá, com livros de João Denys, Luís Reis, Leidson Ferraz e alguns outros. Por muito tempo, a única obra que tínhamos, o ponto de partida, era somente O moderno teatro pernambucano, publicado na década de 60 por Joel Pontes”.
O prefácio do livro A modernidade no teatro [Aqui e ali] Reflexos Estilhaçados é do jornalista e crítico Luís Reis e a apresentação ficou sob a responsabilidade da jornalista, editora do Viver, Ivana Moura. O lançamento é só para convidados, mas a obra estará sendo vendida nas principais livrarias da cidade. A compra também pode ser realizada pelo e-mail contatosalieaki@gmail.com
Disponível em: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/12/20/viver5_0.asp Acesso em: 20 dez. 2009.
Assinar:
Postagens (Atom)






































